Chile e os cem anos – e mais – de solidão, ou: A Finis Terrae (Fim da Terra)

Nós aqui do Novo Mundo sabemos. Os Mexicanos estão bemmmmmmm ao norte, é verdade; e dizem eles: Oh México ! Tão longe de Deus, tão perto dos Estados Unidos… e não é mesmo?… Os xicos têm uma graça popular de poetizar sua condição geográfica; a relação com o mapa é um gracejo cheio de ternura: Oh, México! Maçã mordida da beira do Atlântico…

E tem outro hermano que gosta de falar de sua geografia: é o Chile… E não é de se espantar não é mesmo? A geografia do país já é uma brincadeira em si para todo aluno de primeiro grau. Comprido, estreito e todo margeado pelas cordilheiras a leste.

Os chilenos têm uma anedota pra isso, eles dizem que as cordilheiras foram dadas ao Chile por Deus para separá-los dos hermanos argentinos.

Dizem eles: Oh Chile! Tão perto de Deus, tão longe dos argentinos…

Brincadeiras a parte, o que vem ao caso aqui é outra questão… uma que já ta manjada nesse blog: O que fez dos vinhos chilenos tão especiais a ponto de botarem medo nos Chateau Petrus de 25.000 dólares dos franceses? A resposta é simples: Geografia!

O Chile está protegido da maior desgraça que assombrou os vinhedos no último século: A Phyloxerra, uma peste contra as uvas viníferas que se originou no cultivo dos brothers americanos e se tornou epidemia em toda Europa, incluindo as mimadas plantas que fazem do Chateau Petrus um dos vinhos mais caros do mundo, presente nas cartas de vinho de restaurantes . Resultado? Só o Chile conseguiu se manter protegido da epidemia devido ao seu isolamento geográfico. Ao norte, a produção vinífera é protegida pela aridez do deserto, a oeste pelo marzão e ao sul e leste pela cordilheira dos Andes
Mais uma vez, dizem os chilenos: Oh Chile! Fim do mundo, lá nos recônditos da América, mas ô terra boa pra plantar uva.



O vinho Cousiño-Macul “Finis Terrae” (fim do mundo) é um “assemblage” (mistura de uvas, ou “corte”) de vinhos finos Cabernet Sauvignon vindos de vinhedos de mais de 60 anos selecionados por séculos. Note que o que importa não é que os vinhos em si sejam velhos, ou seja, esqueça o fato de que um vinho qualquer tal, etc. e tal (digamos, da década de 80, 70 ou 60) é maravilhoso porque ta velho. O que vale é a idade da véia planta, que tá lá plantada serenamente desde que os primeiros funcionários da empresa vinícola decidiram inventar a piada de que as cordilheiras separam o Chile dos hermanos argentinos. O Finis Terrae é uma especiaria do Novo Mundo, produzida nos mesmos tonéis de que a Cousiño-Macul se utiliza para fazer o seu vinho mais nobre, o Lotta Reserva Especial. Mas claro, o custo-benefício do Finis Terrae é bem melhor.

Dica importantíssima: Qualquer vinho chileno da safra de 2004 é estupendo. Foi a melhor safra chilena depois de 30 anos de produção, alcançando notas (na revista Wine Spectator) muito melhores do que aqueles francesinhos metidos a besta.

Não tenha medo, gaste seu dinheiro em chilenos 2004 sem dó.

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2 respostas para Chile e os cem anos – e mais – de solidão, ou: A Finis Terrae (Fim da Terra)

  1. Anonymous disse:

    adorei aprender com você! Continue nos informando, assim vou desenvolver meu conhecimento nesse assunto tão agradável pra se conversar. Obrigado.

  2. Viviane disse:

    Adorei os seus ensinamentos…ainda bem que temos pessoas cultas na família…beijocas Vivi (Guará)

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